O que muda com a nova Lei de Licitações

Após 24 anos de tramitação, a Câmara dos Deputados aprovou na noite desta terça-feira (17) o projeto de lei 1.292/95, que traz mudanças significativas aos processos de licitação e contratação de bens e serviços por parte do poder público. O relator do projeto foi o deputado Augusto Coutinho (Solidariedade-PE).

O texto-base foi apresentado em novembro de 1995 pelo deputado petista Lauro Campos – falecido em 2003 – e altera a Lei 8.666 de 1993. Após mais de duas décadas entre idas e vindas nas comissões parlamentares, o trâmite do projeto sofreu uma aceleração a partir do ano passado. Na última semana, o plenário da Câmara votou os 18 destaques ao projeto.

As normas aprovadas valem para as administrações públicas da União, estados, municípios e o Judiciário da União. Ficam de fora as empresas públicas e as sociedades de economia mista. O texto segue agora para o Senado.

Nova modalidade – diálogo competitivo

Além de manter as modalidades existentes – pregão, concorrência, concurso e leilão –, o texto cria o diálogo competitivo, destinado a obras, serviços e compras de grande porte.

Nessa modalidade, o licitante seleciona previamente os participantes por meio de critérios objetivos. Em seguida, os interessados terão reuniões, gravadas em áudio e vídeo, com a administração. Ao fim da fase de diálogos, o licitante divulgará os critérios para a seleção da proposta mais vantajosa e os participantes apresentarão sua proposta final.

O diálogo competitivo será aplicado a licitações que envolvam inovação tecnológica ou técnica, na contratação de parceria público-privada (PPP), na concessão de serviço público ou na concessão de serviço público precedida de execução de obra pública (usinas hidrelétricas, por exemplo).

 

Continuidade de obras irregulares

A nova lei permite que o poder público decida pela continuidade de um contrato mesmo nos casos em que forem constatadas irregularidades na licitação ou na execução. Pela antiga lei, irregularidades eram motivos para a rescisão do contrato.

A ideia por trás da mudança é não prejudicar o atendimento à população pela ausência de um serviço ou obra. Mesmo que o contrato seja mantido, o poder público terá obrigação de cobrar indenização por perdas e danos.

Na decisão de manter o contrato vão pesar vários aspectos, como o impacto econômico causados pelo atraso, os riscos sociais, ambientais e à segurança da população, os custos pela perda de parcelas executadas ou pela realização de nova licitação, entre outros.

 

Proibidos artigos de luxo

O texto impede a compra de artigos de luxo pela administração pública, a partir de 180 dias após a publicação da lei. Os bens de consumo proibidos serão definidos em um regulamento posterior. O valor máximo de referência será o praticado pelo governo federal.

 

Inversão de fases

A inversão de fases passa a ser a regra: primeiro se julga a proposta e depois são cobrados os documentos de habilitação do vencedor.

 

Rapidez no SUS

Para licitações realizadas pelo Ministério da Saúde, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), o texto permite, mediante decisão fundamentada, a redução pela metade dos prazos de apresentação de propostas e realização de lances.

 

Divulgação de dados

A empresa contratada deve divulgar em seu site o inteiro teor do contrato. Estão dispensadas da obrigação as micro (com faturamento anual até R$ 360 mil) e pequenas empresas (com faturamento anual entre R$ 360 mil e R$ 3,6 milhões).

 

Estudos técnicos

Estudos técnicos preliminares necessários para elaborar projeto básico para serviços de engenharia poderão ser contratados por meio de pregão. Essa modalidade de licitação do tipo menor preço é usada para contratar bens e serviços comuns, sem muitas complexidades.

 

Crimes

O texto prevê um novo capítulo no Código Penal com a tipificação de onze crimes relacionados a licitações com penas de prisão e multas.

A frustração do caráter competitivo da licitação é punida com a reclusão de 4 a 8 anos. A fraude é especificada em cinco situações, entre elas a entrega de mercadoria ou prestação de serviços com qualidade ou em quantidades diversas das previstas, e o fornecimento de mercadoria falsificada ou inservível para consumo. A pena de reclusão varia de 4 a 8 anos.

O afastamento do licitante por ameaça ou violência é punido com reclusão de 3 a 5 anos; a contratação direta ilegal (4 a 8 anos); modificação ou pagamento irregular em contrato administrativo (4 a 8 anos). As multas serão de um mínimo de 2% do contrato licitado.

 

Proibições

O texto proíbe que participem de licitações:

Parentes dos administradores públicos;

Empresas coligadas com propostas diferentes;

Pessoas físicas e jurídicas, que, nos cinco anos anteriores à divulgação do edital, tenha sido condenada judicialmente, com trânsito em julgado, pela exploração de trabalho infantil, submissão de trabalhadores a condições análogas à escravidão ou contratação de adolescentes nos casos vedados pela legislação trabalhista.

 

Exigências

Os editais podem exigir o emprego de mão de obra local e de percentual de mulheres vítimas de violência doméstica ou de ex-detentos.

Aproveite todas as licitações públicas em um só lugar!