Restaurante popular da Zona Norte de Juiz de Fora está sem licitação

 

O segundo restaurante popular de Juiz de Fora, que estava previsto para começar a funcionar neste ano, ainda está sem licitação. A expectativa da Prefeitura é de que o edital deva ser publicado até a próxima semana. A nova unidade, que será construída na região central do Bairro Benfica, na Zona Norte, pode atender cerca de mil pessoas por dia. Atualmente o município conta com um restaurante popular no Centro, que completa dois anos de funcionamento no próximo domingo (3).

 

A unidade da Zona Norte será construída em um terreno cedido pelo Estado por 20 anos, na Rua Diogo Álvares, onde há um posto desativado da Polícia Militar. De acordo com a chefe do Departamento de Abastecimento da Prefeitura, Denise Scoralick, a escolha da região se baseou na grande concentração populacional e também tem foco no trabalhador. “É uma região de fácil acesso e próxima de áreas onde podem se instalar novas indústrias”, explicou.

 

A construção da unidade tem investimento de R$ 925.229,62 do Governo Federal com contrapartida de R$ 265.683,33 da Prefeitura. No entanto, o restaurante ainda está sem licitação. Segundo Scoralick, houve dificuldades junto à Caixa Econômica Federal (CEF). De acordo com a assessoria da Secretaria de Agropecuária e Abastecimento, o processo está na Comissão Permanente de Licitação (CPL).

 

O restaurante funcionará em um prédio de dois andares, com 4.100 metros quadrados, terá disponível 196 lugares no refeitório. “O primeiro piso será voltado para atendimento preferencial. E o cardápio será o mesmo do Centro, já que a comida será transportada da unidade Centro para a Zona Norte seguindo os critérios técnicos e de qualidade”, explicou. O horário de funcionamento da nova unidade será das 10h às 14h, de segunda a sexta-feira, oferecendo refeições a R$ 2.

Unidade do Centro

 

Aberto à população, o restaurante popular do Centro começou a funcionar no dia 3 de agosto de 2012. O foco inicial do restaurante popular era o público formado por pessoas em situação de vulnerabilidade social, mas está heterogêneo, sendo que 50% a 60% do público é formado por idosos.

 

Desde o início, o número de frequentadores passou de 1.300 para 2.000 diários. “Isso mostra que as pessoas confiam no nosso trabalho. Buscamos a qualidade da alimentação e monitoramos o trabalho da empresa responsável, oferecendo preço acessível. Problemas críticos foram solucionados ao longo do tempo”, afirmou.

 

O G1 conversou com alguns frequentadores e a qualidade da comida foi elogiada. Como ponto negativo está o tempo de espera na fila. O autônomo José de Almeida Neto, de 53 anos, almoça no local desde o início e apoia a construção de um novo restaurante. “Eu acho tudo ótimo, não é à toa que venho até hoje. Há alguns tipos de problemas que creio que serão resolvidos com o tempo. O pessoal, por exemplo, reclama do tamanho da fila. O espaço físico deveria ser ampliado. Porém, acho que no futuro outros restaurantes como esse irão abrir. Isso seria ótimo para o povo”, comentou.

 

A doméstica Aparecida do Carmo, de 72 anos, e o professor Carlos José da Silva, de 51, às vezes frequentam o local. Mãe e filho elogiam o atendimento e o sabor da comida. “O que é mais difícil é a espera lá fora, que demora cerca de 40 minutos. A comida é muito boa, tem muita variedade, tudo é bem temperadinho”, afirmou o professor.

 

 

Aparecida aproveita para almoçar no restaurante quando vai ao Centro resolver alguma questão. “A comida é muito boa. É uma bênção ver o povo todo alimentando. Eu gosto de vir aqui. De vez em quando dá um probleminha na fila, alguma discussão boba, mas tudo é resolvido muito rápido”, destacou.

 

O aposentado Juarez Braga, de 49 anos, é frequentador assíduo. “Eu gosto demais. O que eu fico triste é que tem muitas pessoas que não têm consciência e deixam bastante comida na bandeja e acaba desperdiçando. Isso é um pecado”, comentou.

 

O restaurante fica na Rua Halfeld, nº 305, no Centro, também com entrada pelo estacionamento do Mercado Municipal, no Centro. O funcionamento é de segunda a sexta-feira, das 10h às 14h, e a refeição é servida a R$ 2.

 

Alimentação gratuita
A Prefeitura oferece tickets a pessoas em situação de rua e componentes da Associação dos Catadores de Juiz de Fora. Segundo a Secretaria de Desenvolvimento Social (SDS), foram retirados 2.615 tickets apenas em junho deste ano. Pessoas em situação de rua que são atendidas pelo Centro de Referência para População de Rua (Centro POP) podem retirar gratuitamente tickets para almoços durante toda a semana. O Centro POP fica na Rua Oswaldo Veloso, nº190, no Centro. A unidade funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 23h, e nos finais de semana, das 8h às 18h.

 

O morador de rua Gilberto Prezi, que é representante junto à Prefeitura no Comitê Intersetorial da Política Nacional Para População em Situação de Rua, frequenta o restaurante popular desde o início e aprova o funcionamento. “A alimentação é balanceada e o espaço é agradável. Os funcionários usam touca, protetor. Dou os parabéns”, afirmou.

 

 

No entanto, o tempo de espera na fila que, segundo ele chega a 35 minutos entre as 11h30 e 13h, realmente desagrada. “Muitas pessoas deixam de almoçar lá por causa disso. Mas problemas com banheiro e bebedouro já foram resolvidos. Hoje tem funcionário para fazer a limpeza dos banheiros”, salientou. Ele ainda sugeriu a instalação de uma mesa com condimentos e a possibilidade de as pessoas pegarem a refeição e saírem para comer em outro lugar.

 

A SDS informou ainda que, no caso dos catadores de materiais recicláveis, a associação envia à Prefeitura a listagem de pessoas que podem ganhar o ticket. Segundo a Secretaria, uma nova lista já foi solicitada à organização.

 

Valor nutricional
A nutricionista da Secretaria de Agropecuária e Abastecimento (SAA), supervisora do restaurante, Denise Soares, disse que a elaboração do cardápio segue o Programa de Alimentação do Trabalhador e gira em torno de 1.200 a 1.400 calorias, considerando porcentagens específicas de nutrientes. “Damos preferência a verduras e legumes crus para preservar fibras e nutrientes. Evitamos frituras, dando preferência aos assados, e buscamos fazer um prato bem colorido, pois quanto mais colorido, mais nutrientes”, explicou.

 

Segundo ela, o restaurante é uma oportunidade de ter acesso a uma alimentação saudável. “O público possui perfil socioeconômico baixo, com carência em hábitos alimentares saudáveis, e o restaurante oferece alimento seguro, prezando pela qualidade”, afirmou.

 

Denise Soares explicou que o cardápio é enviado com antecedência para a SAA pela empresa que atua no restaurante e passa por avaliação. A supervisora disse ainda que realiza visitas ao local para checar, por exemplo, a higienização.

 

Monitoramento
Com relação ao tempo de permanência na fila do restaurante popular, a Secretaria de Agropecuária e Abastecimento informou que está monitorando a situação há algum tempo, tendo sido computado pela equipe um tempo médio de 30 minutos de espera. Esse período, conforme a assessoria, está dentro dos padrões preconizados pelo Governo Federal. Um funcionário foi designado para organização da fila e monitoramento de pontos críticos do local.

 

 

A Secretaria também informou que condimentos e especiarias não são oferecidos aos usuários pois já são utilizados nas preparações dentro da quantidade recomendada pela Organização Mundial de Saúde (OMS). O objetivo é evitar o consumo excessivo e possível surgimento de doenças crônicas, como hipertensão e diabetes.

 

 

O desperdício também é monitorado pela equipe, que iniciou a “Campanha de Humanização do Restaurante Popular”. Foram instalados cartazes educativos e indicativos dos serviços prestados, e orientações. Sobre a possibilidade de retirar a refeição do restaurante popular, a Secretaria disse que o correto é ser consumida no próprio local para evitar que o alimento fique muito tempo exposto à temperatura de risco, que pode acarretar doenças transmitidas por alimentos. “As bactérias chegam a dobrar de número a cada 15 a 20 minutos sempre que as condições estiverem propícias, principalmente quando o alimento for potencialmente perigoso e a temperatura estiver entre 30ºC e 45ºC”, explicou a SAA.

Também sobre o assunto, a secretaria comentou ter a preocupação que a retirada de comida do restaurante inviabilize a meta principal, que é atender a população em situação de risco nutricional, assim como promover o fortalecimento da cidadania.

 

(Fonte: G1)

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