Consórcio Rodoanel contratou WTorre ‘para compensar’ licitação da Petrobrás, diz engenheiro

20 de Junho de 2017

O engenheiro Olímpio Eugênio Fernandes Silva, ligado à empreiteira Carioca Engenharia, relatou ao Ministério Público Federal que a empresa WTorre foi contratada pelo consórcio Rodoanel Sul 5, em São Paulo, ‘para compensar’ uma licitação da Petrobrás. Segundo Olímpio Silva em depoimento na Operação Lava Jato, a WTorre recebeu R$ 18 milhões para deixar a concorrência das obras do Centro de Pesquisas e Desenvolvimento Leopoldo Américo Miguez de Mello (Cenpes), no Rio.

A obra viária do trecho sul do Rodoanel, localizado entre a rodovia Régis Bittencourt e o município de Mauá, foi dividida em cinco lotes. A gestão do Rodoanel é feita pela Dersa (Desenvolvimento Rodoviário S/A), concessionária de serviço público do governo de São Paulo.

Olímpio Silva foi contratado da Carioca Engenharia de maio de 2007 a abril 2011. O consórcio formado pela OAS, empresa líder, pela Mendes Junior e pela Carioca Engenharia, relatou o engenheiro, foi criado ‘com o fim exclusivo de realizar as obras necessárias ao empreendimento conhecido como Rodoanel, especificamente em seu Lote 5’.

De acordo com o engenheiro, durante uma das reuniões periódicas do consórcio, o representante da OAS, Carlos Henrique Barbosa Lemos, comunicou que havia sido determinada a contratação da empresa WTorre para a execução de serviços de terraplanagem. O representante da OAS, segundo Olímpio Silva, informou que a determinação ‘havia sido dada de forma conjunta pelos acionistas de cada uma das sócias’ do consórcio.

“Diante disso, tal empresa foi contratada, tendo ela mobilizado equipamento e pessoal; que a determinação dada era no sentido de que, mesmo se a WTorre não tivesse realizado a integralidade do serviço de terraplanagem lhe eram pagos valores como se ela os tivesse realizado; que essa contratação durou até quando foi atingido o valor, aproximado, de R$ 18 milhões, segundo se recorda”, contou.

Olímpio Silva declarou que o valor ‘era resultado de um acerto entre as sócias da empresa Rodoanel Sul 5 com a WTorre, para compensar a saída dessa última da licitação referente ao Novo Cenpes da Petrobrás’. O engenheiro disse que ‘jamais’ conversou sobre o assunto ‘com qualquer pessoa da WTorre’.

No fim de abril, o ex-presidente da OAS José Adelmário Pinheiro, o Léo Pinheiro, entregou à Justiça o contrato celebrado entre a Rodoanel Sul 5 Engenharia e a WTorre. O acordo foi celebrado em 1 de setembro de 2007. Um do signatários do contrato é Olímpio Silva.

Segundo a força-tarefa da Lava Jato, o engenheiro ‘recentemente, manifestou interesse em aderir ao acordo de leniência firmado pela empreiteira com o Ministério Público Federal’.

Cenpes. A construção do moderno centro de pesquisas já é alvo de investigação da Operação Lava Jato. A força-tarefa acusa 14 investigados por corrupção e lavagem de dinheiro. Para que o negócio fosse fechado, apontou a Procuradoria da República, no Paraná, executivos do Consórcio Novo Cenpes (OAS, Carioca Engenharia, Schahin, Construbras e Construcap) pagaram mais de R$ 20 milhões em propinas para funcionários do alto escalão da Petrobrás e para o PT, que dava sustentação política a funcionários corrompidos da estatal.

Durante a investigação sobre o centro de pesquisas da Petrobrás, a força-tarefa identificou que o Novo Cenpes ajustou uma propina de R$ 18 milhões para que a WTorre saísse do certame. Desta forma, o Consórcio poderia renegociar o preço da licitação com a Petrobrás.

Entre os 14 acusados na ação penal estão o ex-tesoureiro do PT Paulo Ferreira, o ex-diretor de Serviços da Petrobrás Renato Duque, o executivo Léo Pinheiro. Na quarta-feira, 21, às 14h, Renato Duque será interrogado no processo.

Fonte: Estadão

 

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